6 Dicas para Influenciar Positivamente seu Ambiente de Trabalho

Você sabia que suas emoções influenciam diretamente seu ambiente de trabalho? Bom, explicarei abaixo como isso ocorre e como você pode lapidar de forma positiva suas emoções para colaborar com o resultado da sua organização.

Texto de João Marcelo Furlan, sócio fundador da Enora Leaders.

Como empreendedor, sempre tive uma preocupação especial com a consolidação da cultura organizacional. Durante minha graduação em Administração no Insper, lembro-me dos grandes ensinamentos sobre Estratégia Empresarial e Estratégia Dinâmica  Sérgio Lazzarini, e da importância de fazer grandes escolhas, tomando-se em consideração outros atores do mercado para a organização atingir resultados superiores. No entanto, foi ao ler artigos do grande mestre Peter Drucker quando aprendi uma das grandes lições que não é uma estratégia bem definida um dos principais fatores do sucesso para uma organização:

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“A CULTURA devora a ESTRATÉGIA de café da manhã.” -Peter Drucker

 

Cultura Organizacional. Nos treinamentos que ministro, tento sempre definir cultura da forma mais simples possível – “Cultura é como nóis faiz”, ou seja, é como as pessoas falam (inclusive errado), se vestem, as cores do escritório e a forma de atender o cliente.

Cultura na verdade é mais profundo que isto. Estes “artefatos” são somente parte da cultura, o lado que nós vemos. No entanto, estes comportamentos são influenciados por outros fatores que são as normas e valores, ou seja, as regras criadas justamente a partir do que as pessoas naquela organização valorizam, que definiram como padrão para comportamento que resultou netes “como nóis faiz”. Por sua vez, segundo o grande guru de Cultura Edgar Schein, tudo isso é na verdade influenciado pelos pressupostos, ou seja, fatos que no passado deram certo e baseado nesta crença de que “dá certo”, as pessoas passam a fazer, transmitem para as outras, que por sinal,  não necessariamente sabem por que fazem aquilo… simplesmente “nóis faiz”.

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Pois bem, o que Drucker quer dizer ao mencionar que cultura devora a estratégia é justamente que, caso as pessoas não se comportem de determinada maneira, a sua decisão de seguir um determinado caminho(estratégia) para atingir um resultado de nada servirá, já que na hora de executar, as pessoas não irão implementar aquela estratégia. Um exemplo seria uma empresa de seguros querer como estratégia diferenciar-se pelo atendimento excelente aos clientes (a estratégia se chama responsividade ao cliente) e na hora do vamos fazer, as pessoas simplesmente só ligam para a rapidez no atendimento e não para a qualidade do mesmo.

Cultura Emocional. A novidade é que ao folhar a última Harvard Business Review, deparei-me com uma matéria e seu título realmente novo para mim:”Administre sua Cultura Emocional.” (HBR, Janeiro 2016).

Parei e pensei, poxa vida… isso sim faz sentido. Como eu disse, no início deste artigo, sempre tive uma preocupação especial com a cultura da Enora Leaders, empresa que criei há 9 anos atrás, mas também sempre tive uma atenção especial com o clima e como as pessoas influenciam o mesmo. E será que o clima também impacta no “como nóis faiz”? O que acha?

Minha resposta foi imediatamente sim.

E quanto as emoções das pessoas, influenciam o clima? A resposta também foi sim, portanto, mesmo o modelo de Edgar Schein faltou mencionar algo muito rico:

“AS EMOÇÕES DAS PESSOAS INFLUENCIAM DIRETAMENTE A CULTURA DA ORGANIZAÇÃO”.

Gerenciar o clima, ou seja, a favorabilidade das pessoas com o ambiente de trabalho não é fácil. Em meu caso, envolve a participação direta e indireta (via outros líderes da organização) na atenção em ouvir as pessoas, envolvê-las, fazê-las SE SENTIREM especiais. Sem dúvida faz parte do método de “gestão das emoções” conseguir resgatar um determinado colaborador e fazê-lo influenciar positivamente novamente o clima favorável da organização.

A influência do desabafo. Sendo mentor de alguns líderes jovens, tenho discutido se algumas vezes que , quando ouvem demais e frequentemente as pessoas nos famosos desabafos, na verdade não estão influenciando positivamente a organização. Parece que o sentimento acaba contaminando os outros e, mais ainda, esses gestores a quem oriento parecem arrasados, por terem absorvido estes relatos demasiadamente carregados.

Desta forma, ao ver a matéria da HBR, finalmente veio a luz, conforme vemos no trecho abaixo do artigo de Sigal Barsade e Olivia O´Neil.

OUVIR O COLABORADOR SIM. PORÉM SABER ORIENTÁ-LO É FUNDAMENTAL.

Mas como fazer isso?

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Dicas para influenciar positivamente a cultura emocional. Gostaria assim de deixar ao menos 6 dicas para você, baseado no desenvolvimento de inteligência emocional, para apoiá-lo neste tipo de situação e manter sua cultura emocional como almeja em sua organização.

 

PARA VOCÊ GESTOR: 

1) Ouça, Oriente – como falamos a pouco, é importante ouvir as pessoas. Reprimir emoções é ineficaz. Se o líder não ouvir, ele irá falar com outras pessoas e isto irá contaminar ainda mais o clima, logo a cultura emocional da organização. O caminho é abrir o canal e fazer o processo de ressignificação (que menciono no vídeo abaixo e neste artigo do LinkedIn – “A vez do Líder Emocionalmente Inteligente”.

2) Ser o exemplo – você influencia as emoções das pessoas diretamente. Se apenas reclamar, for negativo, amedrontar as pessoas, só irá conquistar uma cultura emocional de medo, recriminação, desconfiança e descrença. Demonstrar positividade é sim uma das funções do líder, como menciono no Capítulo 12 de meu livro FLAPS! , e isto irá ser base que as pessoas influenciem positivamente as emoções das outras pessoas para serem mais “companheiras” ou “atenderem o cliente com alegria”, por exemplo.

3) Crie Símbolos e Ritos – lembre-se do diagrama de Schein que mostrei acima neste artigo. A cultura se expressa a partir de alguns ritos. Criar momentos para que as pessoas possam se expressar é muito importante. Lembro-me que há 5 anos atrás, os colaboradores da Enora queriam muito falar sobre algumas questões que eram importantes para eles e não estavam sendo atendidas. Criamos então a Super-Sexta, ou seja, toda primeira sexta-feira do mês nos reunimos para que possam falar sobre questões, dúvidas e anseios que sentem. O fato de ter todos do time presentes, faz com que os “desabafos” sejam contidos para expressões mais objetivas que, caso atendidas influenciam muito positivamente a organização(veja: atender muitas vezes representa ouvir e dizer: “seria interessante aumentar o vale-alimentação para R$ 50,00 por dia, preocupa-me apenas se isso inviabilizaria a contratação de novos funcionário que irão lhe apoiar”. A super sexta é um rito, mas pode investir outros símbolos como premiações, layout do escritório, entre muitos outros.

 

PARA VOCÊ, COLABORADOR INDIVIDUAL: 

1) Busque o autocontrole emocional– uma pessoa Emocionalmente Inteligente, ou seja, que tem um alto Q.E. (quociente emocional), é capaz controlar suas emoções, a partir de táticas simples. Neste artigo da Exame.com, menciono 3 táticas para AUTOCONTROLE emocional que poderão apoiá-lo(a).

2) Tenha uma válvula de escape – ter pessoas fora do ambiente de trabalho para conversar, incluindo família, terapeuta e coach, apoiam muito a não contaminar o ambiente de trabalho. Com o tempo verá que o gestor e seus próprios colegas podem acabar “expelindo” aqueles que não se adequam à cultura emocional do grupo, não o envolvendo, ou até mesmo desligando-o, portanto, investir nestes canais pode ser o que mais precise neste momento.Outras dicas são a prática esportiva, já que esporte nos apoia na geração de endorfina, sendo este um neurotransmissor fundamental para a sensação de bem estar. Por outro lado, a redução do consumo de cafeína também é importante, já que a mesma estimula outro neurotransmissor, a noroadrenalina, que nos deixa agitados e muitas vezes irritado no ambiente de trabalho, como menciona Dr. Travis Bradberry neste histórico post aqui no Pulse – Cafeína: o assassino silencioso do sucesso.

3) Invista em compreender os gatilhos de suas emoções e busque a solução – se realmente tem algo que lhe incomoda, é importante sim expor isto. A grande questão é o como irá colocar. Se ficar apenas reclamando de como se sente apenas, não irá solucionar nada. Primeiro busque compreender o que está gerando aquele sentimento em você, por exemplo, sente-se preterido (menos valorizado) frente a outros colegas pelo seu gestor. A questão é, porque? O que pode ter causado isto? Seria isto real mesmo ou estou não estou olhando quando a preferência está comigo? (sabe aquela sensação do transito de que a faixa ao lado é sempre mais rápida que aquela em que você está?). Por fim, busque falar com seu gestor de forma objetiva e mais positiva para reduzir este sentimento: “Carlos, tenho sentido que algumas vezes meu trabalho não tem recebido o reconhecimento que eu esperava, o que tem me frustrado um pouco. O que acha que eu posso fazer para que os resultados que tenho atingido possam realmente impactar ainda mais positivamente nossa divisão? Que tipo de comportamentos acha que apoiaria o reconhecimento deste pelos meus colegas?” Não precisa mencionar, mas isto inclui o próprio gestor ;

Espero que estas dicas a(o) apoiem a tornar sua cultura emocional ainda mais rica e mais alinhada com as estratégias de sua organização e que isto faça com que cada um do time faça (como nóis faiz) seu melhor neste ano de desafiador, porém tão cheio de oportunidades! Sucesso!

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Arquivo original retirado do perfil de João Marcelo Furlan no LinkedIn, no Post:

Desabafo no trabalho?! #sqn