A Carreira no Varejo (baseado nas palestras da NRF2015)

Por Renato Fontana, Diretor de Marketing da Enora Leaders

No primeiro dia de apresentações e feira da NRF 2015 – maior feira do varejo no mundo, três palestras se destacaram:

1- Como a tecnologia está murando o esporte

Painel com os executivos da NBA (Mark Tatum), NHL (John Collins), San Francisco 49ers (Paraag Marathe), Seleção Alemã de Futebol (Oliver Bierhoff) e Associação de Tenis Feminino (Stacey Allaster)

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Os executivos das principais ligas e seleções esportivas apresentaram como a automação de informações (também chamada de Big Data) tem influenciado o sucesso dos esportes e dos resultados financeiros das instituições.

Podemos afirmar após a palestra que, apesar de serem negócios voltados para lazer, para estas instituições tudo gira em torno de dinheiro e a tecnologia tem ajudado os times e atletas a melhorarem seus indicadores, diferenciando-os e alocando-los em suas devidas posições de jogo onde possam ser melhor aproveitados durante determinadas situações.

O mapeamento  destes indicadores, além de um benefício próprio, também serve para leitura do seus oponentes, para saber como agir ao longo das partidas e campeonatos frente à eles.

Os esportes estão seguindo tendências corporativas devido à cobrança dos patrocinadores sobre os indicadores que geram o retorno sobre o investimento.

Assim, ferramentas de medição de desempenho técnico e comportamental (muitos já usados com colaboradores de grandes empresas) estão sendo usados no esporte.

O esporte, assim como qualquer atividade que lide com gestão de pessoas, ainda é um negócio romântico, onde estatísticas e automação não conseguirão jamais tomar o lugar das pessoas. Por isso, tratar os atletas como colaboradores de empresas são tratados, tem sido a tendência. A liderança “dentro e fora de campo” é o fator mais relevante que os times e federações têm levado em consideração para mantê-los até o sucesso.

Após muitos desdobramentos de casos de sucesso, todos os palestrantes apontaram a mesma coisa: O fã é quem faz do time um sucesso. O romantismo e carisma que o time consegue agregar ao jogo é o que da o maior retorno ao negócio.

O público jogo do superbowl de 2014, com ingressos esgotados em questão de dias, foi de 82mil pessoas no estádio, e o ingresso mais barato foi de $3.100 dólates (aproximadamente $7.200 Reais) e o jogo foi disputado em uma temperatura de -30 graus celsius. Isso mostra que a compra de emoções e experiências não tem preço para os fãs (clientes), que pagaram caro para estar lá! Mesmo tando tão frio.

2- Novas Oportunidades no Mercado da Saúde

Painel com os executivos da CVS Health (Grant Pill), REI Sports (Susan Viscon), Gian Eagle Super Markets (Caroline Passerello) e The Furutes Consulting(Ann Clurman).

As oportunidades apresentadas foram todas embasadas em fatos de pesquisas da “The Futures Consulting”, que apontou para os Baby Boomers (pessoas nascidas na época pós guerra, de 1950 à 1960) como principais influenciadores do mercado da saúde para os próximos anos.

Hoje, eles são da faixa etária com maior poder aquisitivo nos EUA e seus comportamentos mostram que 25% de seus salários são voltados para saúde (alimentação, esportes, medicamentos, gadgets de aprimoramento de qualidades de vida, etc.).

Como eles temem envelhecer e querem ser sempre reconhecidos como “a eterna média idade”, todos os negócios que os fazem se sentir bem ou ajudam o rejuvenecimento do corpo e mente de alguma forma, acabam sendo preferência em seus gastos.

Em relação asaúde dentro das empresas americanas, os indicadores mostram que o estresse levou algumas delas à investirem num cíclo virtuoso. Existem empresas investindo em tempo para seu funcionário descansar para reduzir seu estresse. Muito contraditório e oneroso.

Isso, pois as empresas não influeciaram seus funcionários o suficiente para serem saudaveis. Com isso, a obesidade, vício ao tabaco e maus hábitos físicos e nutricionais os tornaram altamente vulneráveis ao estresse.

Assim, uma imposição aos funcionários, para melhorar indicadores de saúde nos próximos 3 anos tem sido adotada pelas maiores companhias americanas, caso contrário, os colaboradores poderão ser demitidos.

Realmente, o fundo do poço foi alcançado. Quando viram o custo de ter o funcionário descansando para reduzir o estresse, durante jornada de trabalho, ficou claro que maus hábitos dos colaboradores fora da empresa não condizem com uma empresa enxuta.

3- Reinventando a Experiência do Consumidor

Painel com executivos do Walmart U.S. (Bill Simon), CNBC TV (Courtney Regan),  Levi Strauss & Co. (James Curleigh) e Lippincott (James Wright).

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Este painel foi um tanto curto e apresentou mais cases de 2 grandes marcas (Walmart e Levi’s), pois o abordado pode apenas ser aplicado por empresas que são líderes de mercado.

James (Levi’s) abordou sobre o conceito que uma marca deve seguir:

1- Criar 3 tipos de fãs (os que nunca te abandonarão, os que te dividirão com outros concorrentes e os que ainda não te conhecem). Estes são so três tipos de público que sua marca deve forcar em atingir, sempre.

2- Criação de um produto ícone, aquele que será sempre uma tradição (assim como os óculos RayBan Aviator, a Levi’s 501, a Ferrari Vermelha, etc.) Pois estes itens, quando viram ícones, sustentam a inovação e o insucesso de todas as outras linhas da marca.

3- Buscar ser muito acessível ou totalmente aspiracional? É necessário buscar os dois indicadores. Assim como a StarBucks, um produto acessível e bem visto pelos clientes os fez aspiracionais e bem valorizado no mundo todo.

A Levi’s tem um programa de desenvolvimento de profissionais da rede de lojas que chama “Down on Leadership”, que aproveita os potenciais colaboradores nas linhas de frente das lojas para planos de carreira executiva e estratégica na empresa, com investimento no aprendizado e incentivo no desenvolvimento comportamental.

Bill, da Walmart, falou sobre a história do ecommerce, que é uma evolução bem sucedida do catálogo postal de compras, muito tradicional nos EUA no começo do século 20.

Desde quando o ser humano comprava por catálogos postais, ele já tinha uma expectiativa de receber em casa algo que não achava em suas proximidades. Com a evolução logística e tecnologia, o ser humano apenas mudou a forma de compra para uma mais eficiente, com cartão de crédito e entregas rápidas, mas a espectativa continou a mesma.

O que fez os grandes varejistas da internet terem mais sucesso foi apenas o fato de pensarem como aumentar a experiência do cliente em sua loja, mais do que os concorrentes. Dando mais opções de compras sugeridas, avaliações de outros consumidores, formas de pagamento e fretes diferenciados, clube de fidelidade, cupons de desconto, etc.

Bill encara o Walmart à frente da maioria, por ter sido o primeiro a não ter medo de se agigantar e enfrentar os riscos do crescimento. Hoje, o consumidor (americano principalmente) compra no Walmart pois sabe que as variedades e produtos em estoque são sempre garantidos, além dos preços bem acessíveis.

O maior desafio que ele ve para o momento é a formação de profissionais que possam levar a qualidade do atendimento ao mesmo nível da empresa, já que uma dificuldade no varejo deles é reduzir o número de turn overs de funcionários.

Eles esperam que com a recessão americana (da bolha imobiliária de 2008) já com seus 80% recuperada, mostre aos profissionais que o varejo pode preparar grandes profissionais com um risco menor do que outras indústrias e serviços mais vulneráveis à crises financeiras.

Todas as palestras mostraram uma tendência em comum, o crescimento do varejo para alguns setores e a carência em liderança – na linha de frente das lojas – e a necessidade de um plano de carreira para que o colaborador da frente atinja cargos administrativos e estratégicos ao longo do tempo, já que a experiência dele ajudará no desenvolvimento da marca, das lojas e da experiência do consumidor, gerando mais resultado e proximidade.

Todo este desenvolvimento empacta em um dos gargalos do varejo mundial, a alta taxa de turn over de funcionários.

É possível reduzir esta taxa premiando os altos potenciais, dando-lhes estabilidade na empresa, benefícios e investindo no desenvolvimento de liderança e autonomia deles.

Mais para frente, na matéria sobre as gigantes do Vale do Silício, falaremos do modelo de retenção de talentos abordado por Google, Yahoo!, Facebook e LinkeIn e como os benefícios atingem e engajam os colaboradores.

A Enora desenvolve academias de liderança e vendas que focam muito neste público alvo e na sua retenção através do crescimento dentro da empresa.

Consulte-nos para saber mais sobre programas para desenvolvimento de profissionais na área do varejo, através do email contato@enora.com.br