Forme uma imagem na mente do seu público

O cérebro processa imagens. Os sons que produzimos por meio da fala estão associados a imagens. Por isso, em uma apresentação, quando você consegue fornecer verbalmente os detalhes do local que você está descrevendo, ou dos benefícios de um produto, seu público terá a oportunidade de literalmente “entrar” na sua história.

Imagine um dia de sol quente e você está de folga, dentro de uma piscina, boiando em uma cama flutuante, saboreando uma deliciosa água de coco geladinha e seu celular toca. Tranquilamente, você atende seu telefone porque ele é à prova d’água…

Conseguiu visualizar essa cena? Se eu estivesse apresentando um celular à prova d’água, eu não iniciaria descrevendo as características do telefone, mas primeiramente colocando meu público em uma cena onde eles poderão visualizar as vantagens e benefícios do meu produto, sem que eu necessite entrar nos detalhes – ou, para que eu possa fornecer os detalhes depois de formada essa imagem.

Mesmo que você não esteja apresentando um produto, essa técnica é muito útil para apresentar conceitos e fazer com que as pessoas recebam sua mensagem emocionalmente, visualizando e sentindo aquilo que você verbalmente “desenhar” para elas. Veja abaixo um trecho de uma apresentação que fiz e tire suas conclusões:

Havia um homem que trabalhava não muito longe de sua casa. Entretanto, entre sua casa e seu local de trabalho havia um cemitério. Apesar de ser um cemitério ajardinado, por ser um lugar de gente morta, ele não gostava de atravessar por lá, então ele fazia toda a volta em torno dos muros do cemitério, o que tornava seu trajeto substancialmente mais comprido.

Um dia, saíndo do escritório às 17h, o céu estava completamente negro, parecia que já era tarde da noite – uma tempestade estava prestes a cair. Foi então que ele decidiu cortar caminho pelo cemitério. Ele estava andando quando as primeiras gotas começaram a cair. Começou a apertar o passo. A chuva caía mais forte. Começou a correr. Desabou o céu. A água, misturada à terra do cemitério, formou uma lama bastante escorregadia e, num dado momento, vupt – ele escorregou e caiu dentro de uma cova preparada para um enterro no dia seguinte.

Sua primeira reação foi tentar sair daquele buraco, mas com toda aquela água misturada com a terra descendo, ficava impossível encontrar um apoio para suas mãos e pés. Sua segunda reação foi gritar por socorro. “SOCORRO! SOCORRO! Alguém me ajude!” Alguns minutos depois já estava afônico de tanto gritar, não lhe saía mais a voz. Sua terceira reação foi aceitar que teria que esperar a chuva passar para poder sair dali. Todo enlameado, decidiu puxar a aba de seu paletó para cima e sentou-se em um canto da cova. A chuva misturada com terra caia por cima dele, tornando-o praticamente invisível dentro daquele buraco.

Alguns minutos se passaram e a chuva continuava caíndo forte, até que ele ouviu um som conhecido – splash, splash – alguém estava correndo em sua direção. Mais alguns passos e vupt! – mais uma pessoa caiu dentro da cova. Ele ali, sentado, observava enquanto o homem tentava, desesperadamente, escalar para sair dali. Sem sucesso, ele começou a gritar com todas as suas forças – “SOCORRO! SOCORRO! Alguém me ajude!”. Na tentativa de ajudar o pobre homem a preservar sua voz, ele se levanta do canto, totalmente coberto de lama, toca o ombro do rapaz e diz, totalmente afônico: “não adianta gritar, ninguém pode escutar”. Quando o homem se vira e o vê, ele, apavorado, grita e dá um pulo tão grande que consegue sair da cova, de onde se evade rapidamente.

Conclusão: às vezes o medo faz com que achemos força para fazer algo que não conseguiríamos em uma situação normal.”

Você conseguiu visualizar a cena? Como estava seu interesse? Imagine-se contando essa estória para um público, utilizando os recursos vocais e encenando a situação. Qual será a reação do seu público?

Comece a verbalizar as imagens e suas apresentações se tornarão mais atrativas, além de sua mensagem ser transmitida com muito mais eficácia.