A Liderança e a Cultura de Sustentabilidade

A Gerente de Learning da Enora Leaders, Clarissa Santiago, participou recentemente do TEDx Inatel. O encontro ocorreu em setembro e foi mais uma edição dos eventos independentes incentivados pelo TED, com o objetivo de propagar boas ideias em âmbito global.

Disponibilizamos o vídeo da apresentação, e em seguida o artigo completo.


Recentemente, tive a oportunidade de participar do TEDx Inatel. O evento foi um dos eventos independentes do TED realizados no Brasil.

Recentemente, tive a oportunidade de participar do TEDx Inatel. O evento foi um dos eventos independentes do TED realizados no Brasil.
Com o propósito de propagar ideias pelo mundo, meu objetivo é de conseguir emitir um alerta sobre sustentabilidade e a relação com o papel da liderança, assunto pertinente à todos os cantos do mundo.

“O que tenho para compartilhar com vocês é muito menos exato do que vocês possam esperar de uma engenheira!
Isso porque, acabei mudando um pouco o foco da minha carreira em função de uma crença.

Você já acreditou em alguma coisa? Algo que faça tanto sentido para você e que acaba te conduzindo a caminhos diferentes dos quais você pensou em seguir? Porque eu acredito! Eu, acredito NAS pessoas.

Isso tudo começou a ficar mais claro para mim durante o estágio em uma área de pesquisa e desenvolvimento, ainda em Telecom. Foi lá que percebi que por mais que você tenha um bom hardware, software, tecnologia, processo, sistema, etc., são as pessoas os fatores chave para atingir os resultados.

E então, dentro da arte “engenheirística” de resolução de problemas, decidi buscar entender um pouco mais e focar meu desenvolvimento na causa-raiz: as pessoas.
Porque são as pessoas que de fato transformam as entradas em saídas. São as pessoas responsáveis pelos processos de transformação, seja com seu próprio trabalho ou esforço físico, seja enquanto tomam decisões, mobilizam outros, influenciam o ambiente, contribuem para a sustentar uma cultura.

Nesse contexto, a ideia principal que gostaria de compartilhar com vocês tem a ver com a responsabilidade das pessoas em relação à uma cultura sustentável. E como as nossas atitudes interferem nesse potencial de transformação.

Apesar de ser um tema que vem permeando discussões em várias esferas, há dúvidas ainda sobre o modelo ideal, a fórmula mágica ou o elemento que de fato contagia as pessoas a ponto de se comprometerem com o futuro do planeta e das próximas gerações.
Estou falando sobre SUS-TENTA-BILIDADE.

Ou melhor, sobre a “tentabilidade” de atendermos ao pedido de SOS do planeta.
SOS

Há bem pouco tempo atrás, digamos que a preocupação com o planeta não era tão legítima assim. O que muito se percebia, era que ser sustentável era meramente uma questão de marketing! Aliás, por mais que tenha diminuído, esse tipo de pensamento ainda está presente no mundo dos negócios. A questão agora é que o planeta parece gritar ainda mais alto pedindo socorro. Um grito que é quase impossível não ouvir e atender. Um grito que já ecoa na nossa rotina. Os sinais estão aí: seja nas mudanças climáticas, nas secas que se espalham, nos rios que estão deixando de existir, na energia que quase já não é suficiente.

O problema é que por mais que as pessoas percebam, ouçam, sintam, poucas de fato se mobilizam. Talvez porque ainda estejam no paradigma de que sustentabilidade é uma responsabilidade dos governos, das empresas, das ONGs, da ONU, etc.

A ficha de que sustentabilidade é uma responsabilidade de cada um de nós ainda não caiu ainda para muita gente! Conhecem a síndrome do: não é comigo, não tenho culpa, não fiz nada!? Que termina sempre jogando a responsabilidade para o outro?
Esse comportamento além de descompromissado é egoísta frente à essência do que é sustentabilidade.

Para mim, a melhor definição de sustentabilidade é a concebida pelo encontro que marcou o início da preocupação com o planeta e começou a propagar o termo desenvolvimento sustentável.

“…o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de
satisfazerem suas próprias necessidades.”

O Relatório Brundtlandt é resultado do encontro realizado em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU.

Mas, se há 27 anos atrás já tinha-se líderes buscando por sustentabilidade, porque esse processo ainda está engatinhando na maioria das empresas e comunidades?
A resposta é coincidentemente a causa-raiz pela qual vários outros movimentos de mudança não vingaram: as pessoas.

Mas peraí, estar engajado com a sustentabilidade não é o relatório anual que as empresas entregam com dados e números relacionados àquela famosa tríade de se ter responsabilidade ambiental, social e econômica?
Meu convite para vocês é para que possamos pensar um pouco no que de fato suporta a ideia de sermos sustentáveis: a ATITUDE.

Atitude é a pré-disposição em fazer algo e tem sido cada vez mais valorizado nas empresas, na sociedade e no mundo.
As empresas por exemplo definem um pool de atitudes que valorizam e buscam profissionais que, além de todo o conhecimento técnico, tenham atitudes coerentes com a cultura da empresa. O problema é que as vezes as pessoas se enganam, as vezes não se encontra profissionais que preencham todos os requisitos e aí busca-se pela capacitação e treinamento. E se eu aprendi uma coisa importante, foi que atitude é muito, mas muito difícil de se desenvolver, de mudar. Isso porque estamos falando de mudança de hábito, de mudança de comportamento.

E tenho percebido cada vez mais, ao atender grandes organizações nos desafios relacionados ao desenvolvimento de pessoas, que para que uma atitude positiva possa de fato contribuir para o desenvolvimento sustentável, ela precisa ser potencializada pela liderança, para que seja capaz de mobilizar outras pessoas.

Porque é o conjunto de atitudes sustentáveis que de fato moldam uma cultura preocupada com o futuro das próximas gerações. E o líder nesse sentido tem papel fundamental em relação à arte de mobilizar pessoas para que se atinja resultados esperados.

Para isso, gostaria de reforçar 3 fatores fundamentais para que os resultados sustentáveis comecem a aparecer:

1 – ATITUDE SUSTENTÁVEL: Lembrem-se que a maior parte das decisões do mercado hoje são tomadas por líderes de uma geração em que sustentabilidade ficou em segundo plano. O que influencia muito é mesmo os valores pessoais que norteiam as atitudes desses líderes. É uma essência que vem do profissional para o ambiente.
E você? Como anda o seu indicador de atitudes sustentáveis?

Já viram por aí líderes dando entrevistas sobre o relatório de sustentabilidade da empresa e quando você conhece melhor a pessoa percebe que ela não vive essas atitudes na vida pessoal também?
O fator número um então é a bagagem que esse líder traz, o quanto ele se preocupa, o quanto ele faz, o quanto dá o exemplo.

É possível desenvolver atitude sustentável?
Em geral a premissa básica para que se consiga mudar um comportamento buscando atitudes diferentes, é fazer com que as pessoas percebam a necessidade, quando estão frente à uma necessidade eminente de mudança.
Então diria que todos nós teremos essa oportunidade. Ela virá quando nos depararmos com as evidências de que precisamos agir.
Quando você abrir uma torneira procurando água e ela não vier, terá a chance de repensar suas atitudes. Ou quando se deparar com imagens como essas, em que o maior sistema de abastecimento de água de SP, o estado mais populoso do Brasil, atendendo 374 cidades, opera onde com menos de 10% da sua capacidade. Sem falar em outras regiões do país que enfrenta situações ainda piores.

seca
Fotos: Sistema Cantareira de abastecimento de água. Setembro 2014. (Foto 1: Tiago Queiroz/Estadão, Foto 2: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)

2 – AUTONOMIA: o segundo fator, está ligada à autonomia que esse líder tem na organização. Autonomia é concedida, então parte do ambiente para o colaborador.
O problema é quando se dá o poder para a pessoa errada.

poder

• O líder com baixa autonomia e pouco alinhamento estratégico, provavelmente não deveria estar na posição de líder ou precisa ser desenvolvido rapidamente.
• O líder com baixa autonomia e elevado alinhamento estratégico, provavelmente se sente frustrado por não poder contribuir da forma que ele poderia.
• Alto alinhamento estratégico e autonomia, significam que você tem um representante da marca, propagador da cultura e defensor dos valores.
• O caso em que o líder tem alta autonomia e baixo alinhamento à estratégia é o mais preocupante para as organizações, porque temos o líder congenial. Que toma decisões baseadas em suas vontades, seu humor, deixando um pouco do lado a estratégia da organização.

3 – CULTURA ORGANIZACIONAL: o terceiro fator é a própria cultura organizacional, pode apresentar índices de desenvolvimento sustentável variáveis. Os relatórios de sustentabilidade e os rankings baseados em alguns critérios que dão uma boa visão se a empresa tem ou não uma cultura voltada ao assunto.

Vamos pensar um pouco mais na relação entre esses 3 fatores?
-Se temos os 3 zerados: inconsistência
-Se temos os 3 em alta: melhor dos mundos.
-Se temos: IAS alto, e os outros 2 baixos, provavelmente essa pessoa não fique muito tempo. É o líder que se frustra ao perceber uma diferença muito grande em relação aos seus valores pessoais frente aos da organização.
-Se temo IAS + Autonomia: ainda que a cultura de sustentabilidade não esteja implantada, esse líder tem mais facilidade para agir. Pode conseguir bons resultados no médio prazo.
-Se temos IAS elevado e os outros 2 baixos, corremos o risco de termos o líder congenial, que por mais que a organização se esforce em busca da sustentabilidade, esse líder trará algumas barreiras para o processo. Ele mais atrapalha do que ajuda.

Equalizador
Representação: IAS elevado e os outros 2 baixos

Para equilibrar um pouco das responsabilidades dos líderes versus o papel das organizações, proponho uma nova forma de liderar sustentavelmente baseada em uma combinação de competências que chamei de  P.U.L.S.O.

PULSO, não no sentido autoritário de se ter pulso firme. Pelo contrário! No sentido de ser tão natural que é quase imperceptível. É no sentido de ser constante, intermitente, pulsante. E as competências base do  P.U.L.S.O. são:

TEDx
Clarissa Santiago @ TEDx Inatel – Apresentação PULSO

• Pensamento sistêmico: é conhecer a cadeia de valor, entender que estamos inseridos em ecossistema e que as relações de causa e efeito existem. É conseguir perceber o cascateamento das suas ações tanto para organização quanto para o planeta.
• Uniformidade: no sentido de ser coerente, agir de acordo com seus valores e princípios tanto na vida pessoal e profissional, com pressão ou sem pressão, etc.
• Liderança: o líder como um agente de mudança, agente de transformação, que tem visão de futuro, energia e age com integridade. É capaz de mobilizar pessoas e tem um papel de líder educador.
• Senso de Coletividade:  senso de coletividade e egoísmo estão de lados opostos. Basicamente a definição de egoísta não se importar com os outros no seu entorno, refletindo um amor próprio excessivo. O não egoísta, considera o outro e não age só em função dele mesmo. Mas quando falamos de sustentabilidade estamos falando de algo além de não só pensar nos outros ao redor, mas também nas futuras gerações! Isso é ter atitude sustentável.
• Ousadia: ser ousado é desafiar o novo, é ter a capacidade de se reinventar frente à uma necessidade, dilema ou desafio. É ter coragem para propor uma nova direção.

Isso tudo porque o planeta pede socorro!
Para concluir essa reflexão, a pergunta que deixo para você é:
E então… vamos nos reinventar?”

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